A colonização prossegue na Cisjordânia

Desde a cimeira de Annapolis, em 27 de Novembro de 2007, durante a qual o primeiro-ministro Ehoud Olmert se tinha comprometido a parar com a colonização, 495 prédios estão a ser construídos em 101 colonatos, denunciou a organização não governamental Paz Agora, num relatório publicado no dia 31 de Março. Trata-se precisamente de 275 novas construções, das quais 20% estão situadas a leste da “barreira de segurança” edificada em terra palestiniana, e de 220 prédios cuja edificação continuou e que estão quase prontos.

“Não são apenas construções em curso que continuaram, foram elaborados novos planos, foram lançados concursos e foram aprovados projectos” sublinha o relatório, que precisa que o ministério da Defesa israelita aprovou a construção de pelo menos 946 fogos, que 184 caravanas foram instaladas nos colonatos existentes, das quais 150 a leste da “barreira de segurança”. Este frenesim construtivo também existe nos colonatos selvagens. Entre Agosto de 2007 e Fevereiro de 2008, em 58 das 105 implantações não autorizadas pelo governo israelita, houve construções e acrescento de casas pré-fabricadas.

Para completar este quadro, Paz Agora afirma que foram lançados concursos para a construção de 750 alojamentos em Jerusalém Oriental entre Dezembro de 2007 e Março de 2008, enquanto que durante todo o ano de 2007 tinham sido construídos apenas 46. O relatório acrescenta: “Novos planos para a construção de 3.648 fogos estão a ser objecto de um inquérito de utilidade pública”.

O relatório denuncia a decisão de elevar a município o colonato de Modi’in Illit, construído depois dos acordos de Oslo de 1993 em terras palestinianas. “Este anúncio feito discretamente é simbólico, pois vem reforçar e legitimar os colonatos”, diz a ONG […] A construção massiva à volta de Jerusalém Oriental cortará a cidade santa da Cisjordânia e impedirá a criação de um Estado palestiniano com Jerusalém Oriental como capital”. O relatório mostra que as autoridades israelitas estão a completar a cintura de colonatos que isolará totalmente a cidade santa da Cisjordânia. Já só falta um sector, a zona chamada E1, para que o cerco esteja completo.

 

Michel Bôle-Richard, correspondente do Le Monde em Jerusalem, 1.4.08