Alexandre Estrela entre os quase 200 participantes da Bienal de Veneza 2026 que apelam à exclusão de Israel

O artista Alexandre Estrela, selecionado para representar Portugal na Bienal de Veneza 2026, integra o grupo de 187 participantes que subscreveram uma carta aberta dirigida à organização do certame, apelando à não participação de Israel no evento. O documento, tornado público pela plataforma Art Not Genocide Alliance, promotora do mesmo, reúne artistas, curadores e outros profissionais e trabalhadores do evento que denunciam a concessão de uma plataforma de legitimação a Israel num contexto de graves e continuadas violações dos direitos humanos.

Na carta, os signatários apelam ao fim da “cumplicidade da Bienal de Veneza na tentativa de destruição da vida palestiniana. Enquanto persistirem as práticas de “genocídio, limpeza étnica e apartheid, [Israel] não deve estar representado”, escrevem.

A adesão do artista português a esta iniciativa reforça a crescente mobilização que existe dentro dos setores artístico e cultural nacionais, de oposição às ações do Estado de Israel e de denúncia da responsabilidade de instituições culturais no branqueamento de tais crimes.

Duplicidade de critérios do Governo português

Este posicionamento contrasta, no entanto, com a atuação do Estado português. Na semana passada, Portugal integrou o grupo de 22 países europeus que subscreveram uma carta a criticar o regresso da Rússia à Bienal de Veneza, da qual está ausente desde 2022, na sequência da invasão da Ucrânia.

“A cultura não está separada das realidades que as sociedades enfrentam. Ela molda a forma como as pessoas compreendem o mundo, o que valorizam e como optam por agir. As instituições culturais têm, portanto, não só uma importância artística, mas também uma responsabilidade moral”, lê-se no comunicado assinado pela ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes.

A Comissão Europeia, por seu lado,ameaça suspender o financiamento ao festival, alegando que “a decisão de incluir a Rússia não está em conformidade com os valores europeus e as normas éticas” do contrato assinado entre as partes.

Contudo, perante a participação de Israel, tanto a Comissão Europeia como o Governo português têm mantido um silêncio que levanta sérias questões de coerência política e moral. Na Bienal de Veneza como em outros certames, a discrepância entre a prontidão e voluntarismo em condenar a Rússia e a hesitação em relação a Israel expõe uma sensibilidade seletiva em matéria de defesa do direito internacional e dos direitos humanos. 

Comité de Solidariedade com a Palestina | BDS Portugal

18 de março de 2026