O desporto e a negação do povo palestiniano

Texto publicado, em 5.6.2012, por France-Palestine durante a recente campanha para salvar Mahmoud Sarsak em greve da fome

Sabia que o futebol, como os outros desportos na Palestina, são boicotados por Israel? Os futebolistas palestinianos são detidos, encarcerados, mortos. Os check-points, as barreiras israelitas, as recusas de conceder salvo-condutos dentro dos territórios palestinianos e fora, permitem há muito tempo que Israel negue o desporto aos atletas palestinianos.

O caso de Mahmoud Sarsak, jogador da equipa nacional palestiniana, raptado pelo exército israelita quando deixava a faixa de Gaza para se juntar a um encontro desportivo na Cisjordânia, está longe de ser um caso isolado.

 

Recordemos:

  • Em 2004, cinco futebolistas da equipa nacional palestiniana foram impedidos de participar nas eliminatórias do campeonato mundial de futebol, onde deviam jogar contra o Uzbequistão. E os outros jogadores palestinianos que conseguiram lá chegar foram castigados no seu regresso. Levaram 40 horas para percorrer os 100 metros que separavam Rafah (fronteira egípcia) do check-point israelita! Ao chegarem a Gaza, um dos jogadores, Ziad Al Kourd, encontrou a sua casa de Deir-Al-Balah destruída pelo exército israelita.
  • Em 2003, durante os jogos olímpicos para deficientes (Special Olympic World Games), que se realizaram na Irlanda, Israel recusou a um jovem atleta palestiniano com trisomia 21 a possibilidade de sair para participar nesses jogos (Irish Times, 18.6.2003).

Na verdade, a equipa de futebol palestiniana quase nunca pode constituir-se devido às barreiras na Cisjordânia e ao bloqueio de Gaza. A equipa feminina de futebol teve a oportunidade de se reunir pela primeira vez, na Jordânia, por ocasião do campeonato de futebol feminino da Ásia ocidental, em 2007. “As jogadoras fizeram a partida sem sequer conhecer os nomes respectivos”, relatava o seu treinador Hilal.

Da mesma maneira, Israel proíbe regularmente a entrada de equipamentos desportivos nos territórios palestinianos.

Mas este Estado, que foi integrado no campeonato europeu de futebol, não se contenta com privar os palestinianos de treino e de competições internacionais.

  • O seu exército destrói estádios de futebol nos territórios palestinianos, como em Gaza em 2006.
  • Assassina jogadores como o talentoso médio Tarek Al-Quto, na Cisjordânia.
  • As crianças não são poupadas. Muitas foram mortas enquanto jogavam futebol, como Ali de 11 anos, morto por um franco-atirador israelita num estádio de futebol em 18 de Junho de 2001.

E os desportistas israelitas sabem-no. Não só não protestam como participam nesses crimes. Na altura dos massacres de Jenin em 2002, 21 dos 22 jogadores da equipa de futebol israelita que actuavam naquele momento serviam no exército de ocupação.

Isto chegou a um ponto que Platini, num momento de lucidez e de ética, ameaçou os israelitas de deixarem de fazer parte da UEFA. Enquanto Israel bloqueava nos portos as ajudas que ele tinha concedido, em Julho de 2009, para incentivar o desenvolvimento do desporto na Palestina, o presidente da UEFA revoltado declarou: “A sua presença da Europa não terá razão de existir”. E, após uma entrevista com o responsável da Federação palestiniana, Djibril Rajoub, a ex-estrela do futebol francês declarou: “As medidas israelitas relativas ao desporto palestiniano constituem uma violação dos regulamentos e das leis internacionais em vigor susceptível de levar à reconsideração da qualidade de membro de que goza Israel no seio da UEFA. Aceitámo-los na Europa e garantimos-lhes as condições de adesão; eles devem respeitar a mensagem das leis e dos regulamentos desportivos internacionais, caso contrário, a sue presença na Europa não terá razão de existir”.

É preciso sublinhar que Israel joga no campeonato europeu, enquanto os palestinianos fazem parte da Ásia!!

“Vou tudo fazer para pôr um termo ao sofrimento do jogador palestiniano, nomeadamente no futebol, e apresentarei este facto ao executivo na próxima reunião prevista para Outubro de 2010”, acrescentou Platini.

Portanto, a pergunta a Michel Platini e aos dirigentes da Federação Francesa de Futebol é: onde estão os grandes valores universais do desporto e a solidariedade com os desportistas palestinianos perseguidos?