Presidente da Câmara Municipal do Porto participa em evento de associação de colonos luso-israelitas, apadrinhada por Henrique Cymerman

4 de maio de 2026

Arranca hoje em Lisboa o Fórum IRMEX 2026 que durante dois dias (4-5 de maio) tem lugar no Hotel Roma, continuando nos dias seguintes (6-7 de maio) no Porto, no Hotel Sheraton Porto (apesar de ter estado agendado, inicialmente, para o Vila Galé Porto).

Este será o primeiro grande evento da IRMEX (Iberian Middle East Exchange), associação fundada recentemente por um casal luso-israelita que reside, desde 2014, em colonatos israelitas situados na Cisjordânia ocupada (sempre referida como “Judeia” pelos mesmos) – inicialmente em Efrat, agora em Neve Daniel. À luz do direito internacional, todos os colonatos israelitas na Cisjordânia são considerados ilegais e crimes de guerra.

Yosef Santos, presidente e fundador da associação, e a sua esposa, Elisheva Santos, afirmam que a IRMEX nasce para ajudar a “combater o antissemitismo em Portugal” e para promover “informação rigorosa, iniciativas de diálogo responsável e ações que valorizem a verdade, o respeito, a justiça e a dignidade humana”.

Em rigor, a IRMEX é uma associação política de caráter exclusivamente propagandístico de apologia ao sionismo e que visa normalizar a ocupação ilegal da Palestina: “Levaremos o que Israel tem de melhor, a todas as montras do país, de norte a sul; televisão e rádio, centros culturais, teatros, cinemas e galerias de exposição, espaços empresariais, ruas, escolas e universidades. Nada ficará de fora.”

Nas suas redes sociais, Yosef Santos partilha consistentemente conteúdo de apologia do genocídio e da ocupação, de glorificação das IDF, de apologia ao assassinato de jornalistas, conteúdo islamofóbico e transfóbico, negacionista da fome em Gaza, assim como a associação de símbolos religiosos judaicos ao exército e aos crimes do Estado de Israel.

Henrique Cymerman, um dos convidados do evento, é amigo, mentor e conselheiro honorário da IRMEX.

Entre os convidados anunciados é especialmente problemática e censurável a presença de Pedro Duarte, Presidente da Câmara Municipal do Porto, e de João Taborda da Gama, Coordenador Nacional da Estratégia Europeia para Combater o Antissemitismo e Promover a Vida Judaica.

Em julho de 2025, considerando as ações israelitas como uma “carnificina” que “deve envergonhar a humanidade”, Pedro Duarte afirmou existirem “vários responsáveis pelo que se está a passar em Gaza”. Contudo, mais recentemente, a 24 de fevereiro deste ano, reuniu-se com o embaixador israelita Oren Rozenblat, ocasião onde discutiram “oportunidades futuras de cooperação económica entre Israel e o Porto”.

Queremos recordar ao agora Presidente da CMP que a “responsabilidade” a que anteriormente aludiu se estende aos representantes políticos que continuam a normalizar e a promover relações diplomáticas e comerciais com o Estado que comete tais crimes.

A João Taborda da Gama, recordamos que a defesa de Israel e o respaldo aos colonatos israelitas não estão entre as suas incumbências enquanto coordenador do combate ao antissemitismo. Ao fazê-lo, alimenta a falsa equivalência entre judaísmo e os crimes do Estado de Israel, contribuindo assim, ele próprio, para o antissemitismo que deveria combater.

Taborda da Gama considera que a frase “Palestina do rio até ao mar” é um “exemplo de antissemitismo contemporâneo”. O que o leva então a associar-se a quem não se coíbe de usar a mesma expressão para declarar que “do rio ao mar” só existirá Israel?

A associação à IRMEX ou a participação nos seus eventos configura um apoio tácito à ocupação, ao colonialismo e aos crimes cometidos pelo Estado de Israel contra o povo palestiniano.

Nesse sentido, exortamos Pedro Duarte, João Taborda da Gama, e todos os demais oradores, artistas, parceiros e convidados a distanciarem-se de imediato deste evento e dos seus promotores, sob pena de cumplicidade nos crimes referidos.

Comité de Solidariedade com a Palestina | BDS Portugal

Judeus pela Paz e Justiça