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Boicote à Eurovisão

RTP decide participar na Eurovisão e continuar a branquear crimes contra a humanidade. Apelamos a um boicote ao Festival da Canção.

Pela primeira vez, 4 países (Espanha, Irlanda, Países Baixos e Eslovénia) aderem formalmente ao boicote à Eurovisão, sendo a decisão da Islândia conhecida na próxima semana. Por outro lado, e após meses de ambiguidade e apoio silencioso, a RTP assumiu finalmente a sua intenção de participar na Eurovisão. Apesar da insistência de vários países, a EBU recusou fazer uma votação sobre a participação de Israel, fazendo com que apenas fossem votadas as novas regras que visam prevenir a instrumentalização e as interferências políticas na Eurovisão. Ironicamente, após aprovação das mesmas, jornais israelitas revelaram a extensão do envolvimento do Presidente e governo israelitas na intensa campanha de bastidores para impedir que houvesse uma votação sobre Israel:

«President Isaac Herzog created a dedicated team at his residence to coordinate diplomatic outreach, convinced that an expulsion could snowball into a broader political setback for Israel in Europe. Israeli officials said Herzog personally urged international partners to oppose a vote on Israel’s removal and instead back reforms that would ease tensions inside the EBU.»

A decisão da RTP torna o Festival da Canção num instrumento de legitimação daquilo em que a Eurovisão se tornou – uma plataforma de branqueamento e de normalização da ocupação, apartheid e genocídio do povo palestiniano. Apelamos a que todos os envolvidos no Festival da Canção – artistas, apresentadores, comentadores e outros – se demarquem da decisão da RTP e se recusem a participar no branqueamento desses crimes.

Aos artistas:

Exijam que a RTP reverta a sua decisão ou, caso contrário, recusem participar no festival da canção. Não permitam que a vossa música e o vosso trabalho sejam usados para branquear crimes de guerra e contra a humanidade.

Aos fãs e telespectadores:

Não assistam ou promovam o festival da canção nem nada a ele associado. Não criem conteúdos sobre o Festival da Canção, a menos que seja de apoio ao seu boicote.

Aos apresentadores e trabalhadores da RTP:

Recusem trabalhar no Festival da Canção. Não aceitem que a vossa entidade empregadora vos associe ao branqueamento de um genocídio.

Aos antigos vencedores:

Recusem atuar ou marcar presença no Festival da Canção.

Aos patrocinadores:

Abstenham-se de associar a vossa marca ao branqueamento de crimes de guerra. Caso a RTP não reverta a sua posição, a pressão e os danos reputacionais estender-se-ão a quem apoie financeira ou institucionalmente esta indecência.

Aos canais de média digital dedicados à Eurovisão:

Comprometam-se publicamente a boicotar a Eurovisão e o Festival da Canção, não promovendo nem reportando nada sobre a presente edição dos mesmos, a menos que seja relativo ao seu boicote. Ninguém deve aceitar participar no podcast da RTP “falar pelos dois”.

À RTP:

Exigimos que reverta de imediato a sua decisão de participar na Eurovisão. Exigimos que boicotem a Eurovisão – não participando e não a transmitindo – até Israel ser excluído do festival.

À tutela e ao governo:

Exigimos que não condicionem nem interfiram nas decisões da RTP sobre a Eurovisão.

Apelamos a um boicote de artistas à Eurovisão e ao Festival da Canção.

Exigimos que a RTP se comprometa a boicotar o Festival Eurovisão da Canção até que Israel seja excluído do mesmo. Até que a RTP assuma este compromisso, apelamos a todos os artistas e outros profissionais para que não se associem, não concorram nem participem no Festival da Canção — um festival organizado anualmente pela RTP, onde é selecionado o representante português para a Eurovisão. A cumplicidade repetida da União Europeia de Radiodifusão (UER), organizadora do festival, e das emissoras públicas que fazem parte dela (como a RTP), permitiu que Israel explorasse politicamente o Eurovision para encobrir crimes como o genocídio e a ocupação da Palestina. Na última edição realizada em Israel (2019), vários vídeos promocionais do evento e de apresentação dos artistas participantes foram filmados nos territórios ocupados da Palestina e da Síria e apresentados como parte de Israel. A EBU também organizou visitas aos territórios ocupados. Num vídeo, Carla Bugalho, chefe da delegação portuguesa e membro do Grupo de Referência do Eurovision, responde a perguntas sobre a cultura israelita, numa peça intercalada com imagens da delegação portuguesa nos territórios palestinianos.

Boicote Eurovision 2025

A Campanha Palestiniana para o Boicote Académico e Cultural de Israel (PACBI) e o Sindicato dos Jornalistas Palestinianos apelam à União Europeia de Radiodifusão (UER) para que proíba a participação de Israel no Festival Eurovisão da Canção e para que todos os organismos de radiodifusão participantes, concorrentes nacionais, finalistas, equipas de produção e telespectadores” boicotem o evento até essa data.

Boicote à Eurovisão

A Eurovisão é gerida e propriedade da União Europeia de Radiodifusão (UER), que é uma aliança de organizações de comunicação social de serviço público. Um dia depois de a Rússia ter lançado uma invasão na Ucrânia, a UER suspendeu a Rússia da Eurovisão, afirmando que “à luz da crise sem precedentes na Ucrânia, a inclusão de uma participação russa (…) traria descrédito ao concurso”. No entanto, a KAN, a autoridade de radiodifusão israelita, não foi suspensa, mesmo depois de ter partilhado um vídeo que mostrava crianças israelitas a cantar “Vamos aniquilar todos eles [palestinianos em Gaza]”. E uma empresa israelita, a Moroccanoil, é o Parceiro Apresentador do Festival Eurovisão da Canção pelo terceiro ano em 2025.

Actividades e artistas de Portugal, bem como da Finlândia, Islândia, Noruega, Dinamarca, Suécia, Reino Unido, Irlanda, Bélgica, Islândia e Países Baixos. O organismo público de radiodifusão da Eslovénia foi o primeiro a exigir que Israel seja excluído do Festival Eurovisão da Canção de 2025.